EGO EXCÊNTRICO
Na capa ele mostra a
barriga. O umbego.
No miolo ele está nu.
Makely Ka é narciso. Sabe quanto custou, quanto vale sua poesia e tem orgulho dela. Talvez por isso a escancare assim, despudoradamente.
Pode-se ver/ler o poeta de vários ângulos e um espelho que vem entre as páginas ajuda nessa agradável tarefa.
De trás para frente: a capa é a contra-capa;
De cima para baixo: o ótimo cd Poemas de Ouvido, em que ele recita e canta, acompanha o livro;
De baixo para cima: em Sobra o Autor, ele se apresenta pisando nas convenções e dobrando de tamanho;
De frente para trás: o leitor se afoga nos olhos do poeta.
É um livro que brinca. com os sentidos. Seduz.
Como deve ser todo livro de poesia.
Makely leva poesia tão a sério, que não leva a poesia
a sério.
Makely se afoga no lagolho do leitor.
Mas isso tudo pode não ser verdade.
Pode ser um embuste.
Afinal, o poeta é um fingidor.
Makely sabe disso. E bem.
Ainda bem.
(Sobre EGO EXCÊNTRICO, de Makely Ka / 13.11.04)