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// ...entre os poetas surgidos nos primeiros anos deste século, um dos exemplos mais plurais da pesquisa poética de expansão do conceito do "verbivocovisual", entre os poetas que venho também chamando de "multimedievais", por abraçarem parâmetros críticos que alargam as fronteiras da poesia para além das alfândegas da literatura e da escrita, como entre os trovadores medievais, antes da hegemonia literária sobre o pluralismo poético. Se o seu trabalho visual liga-o ao trabalho do Grupo Noigandres e a Augusto de Campos em especial, assim como a Sebastião Nunes, o que mais aprecio em seu trabalho é o vigor e a consistência com que vem pesquisando as possibilidades verdadeiramente vocais do verbiVOCOvisual. Seus poemas sonoros estão entre as mais interessantes peças produzidas na poesia brasileira contemporânea que se interessa por esta pesquisa, pesquisa que conta com poetas como Ricardo Aleixo, Arnaldo Antunes, Gláucia Machado, André Vallias, Márcio-André, entre outros.

Em poemas como "2415", (...) Sahea pesquisa as possibilidades vivificadoras da voz sobre um texto literário, que subsistiria por si só na página, mas que encontra seu charge of meaning to the utmost degree, como queria Pound, através da pluralização de sentidos do sonoro e sintático sobre o semântico, ligando-o ao que na Europa muitas vezes é chamado de "textualismo", entre os poetas que preparam textos para a página e para a performance, como o francês Bernard Heidsieck e o alemão Michael Lentz, entre outros.

...Em suas performances, todos estes elementos: escrita (trabalho semântico-sintático), som (voz e intervenções musicais) e imagem (visualidade da materialidade sígnica, mas também o gestual do poeta, figurino e encenação) formam um conjunto que me leva a incluir seu trabalho entre os pesquisadores mais inquietos da expansão do verbivocovisual e instituição de um parâmetro "multimedieval"... //
RICARDO DOMENECK (Revista Modo de Usar & Co. - franquia digital)

 

 

 

// Marcelo percebeu como poucos da área que essa relação entre linguagens deve ser feita com maturidade e tem a ver com o acesso à tecnologia depois da estética e que inaugura o lugar de fluidez dos corpos, onde a experiência significa o uso antes e mais do que  o pensar sobre a linguagem. //
RICARDO CORONA - Poeta

 

 


// Marcelo Sahea, a meu ouver, é um dos mais talentosos dentre os (poucos) poetas brasileiros que se apropriam de forma livre, não reativa e não ressentida do repertório sonoro e plástico-visual das vanguardas do século XX. Seu trabalho até aqui dá mostras de que o que está por vir ajudará a definir melhor um contexto - o da performance poética - que, infelizmente, ainda é marcado no Brasil pelo tripé improvisação (no sentido fraco do termo) + falta de conhecimento teórico-prático + oportunismo. //
RICARDO ALEIXO - Poeta, artista visual e sonoro, compositor, performador, ensaísta e professor

 

 


// Estranheza Necessária //
FRANCISCO DALCOL - Diário de Santa Maria (sobre a performance Pletórax)

 

 


// marcelo
excelente poeta és tu.
o cara das palavras pulsantes.
fluido, cristal líquido, digital //.
CHACAL  (via blog)

 

 


// Marcelo Sahea consegue injetar sutileza poética e realização técnica em um terreno que se tornou fértil para diluições: a poesia visual. Ele tem consciência de que a linguagem poética dispõe de diversos recursos e os utiliza com olhar de designer e tino de poeta. Seus poemas significam. E isso significa muito. //
ADEMIR ASSUNÇÃO (Poeta, letrista e jornalista)

 

 

 

/ /...festa dos sentidos garantida para quem gosta do barulho que a palavra faz. //
LEO GONÇALVES - Poeta (sobre a performance Pletórax)

 


 

// ...Seu livro "Leve" (...) instiga, provoca, cutuca o leitor. Sahea sabe manipular tanto a palavra como as imagens, aumentando a taxa de informação do leitor com inteligência e sensibilidade. E beleza. Seus poemas são sempre plásticos. Cada letra, cada fonema, cada imagem é trabalhado com um zelo cool, leve, light, zen. Sem saturação imagética ou retórica.

... um jogo pós-moderno de instar e desinstalar significados e sentidos. Quase sempre um chiste poéticobjeto-identificado. Enfim: um livro para ver e ler. Melhor: para "vler", como diz Décio Pignatari. Ele, também, poeta concreto e poeta visual. //
AMADOR RIBEIRO NETO (jornal A União - Paraíba)

 

 


// Uma parte significativa da poesia contemporânea tem se caracterizado pela sua materialização em suportes distintos, especificamente naqueles de natureza telemática. Tal fenômeno, sugerimos, pode ter sua origem na apropriação e uso, pelos artistas do contexto atual, de várias formas de linguagem que lhes permitem pensar na construção de sentido para além do já tradicional binômio fala/escrita. Nessa direção, o trabalho de Marcelo Sahea se afigura pelo uso crítico, mas não menos sensível, das possibilidades de expressão advindas de uma mistura sui generis entre diversas instâncias linguageiras.

(...)

O videopoema "Clonazepan (Efeitos colaterais)" de Marcelo Sahea desponta como traço significativo da ocorrência dos fenômenos apontados no decorrer de nossa investigação, tanto o "hibridismo" entre linguagens, quanto o conceito de "dispositivo". Nesse sentido, esse objeto encerra uma poética ancorada nesse "pós-tudo", mas consciente das "ambivalências" próprias desta época. Além disso, oferece muito mais do que um olhar por sobre a linguagem e suas inter-relações. Com sua percepção sensível, o poeta e performer multimídia aponta uma forma de re/construir sentidos não somente a partir da linguagem cotidiana, mas também por meio da percepção poética. //
LEONARDO MORAIS (Poeta - sobre o videopoema CLONAZEPAN)

 

 

 

// A poesia de Marcelo Sahea assimila integralmente a prática mallarmesiana da depuração e exige sempre mais que curiosidade pelo impacto provocado. Impõe-nos um olhar sensível, porque esse minimalismo concentra todas as possibilidades da palavra e comunica plenamente os universos do autor. Sua poesia, impregnada de silêncios e ausências tem o mérito de acicatar a nossa consciência, porque carrega em si a musicalidade, os significados, as sutilezas semânticas e o choque que nenhum discurso palavroso é capaz de revelar. //
RONALDO CAGIANO (Escritor - para o Correio Braziliense)

 


 

// A soma, portanto, de negatividade poética com apuro formal transforma Carne Viva num belo trabalho e nos dá a conhecer um poeta que já está entre os melhores da atualidade. //
ADEMIR DEMARCHI (Poeta e Editor da revista de poesia BABEL POÉTICA - sobre o livro CARNE VIVA)

 

 

 

// Marcelo concebe uma poesia que aceita e admite, profundamente, a excitante e perigosa relação com a palavra. É verdade que o autor paga uma espécie inegável de tributo à experiência poética aberta pelo concretismo, mas não se deixa reduzir as facilidade e diluições que o estilo acabou imprimindo na obra de vários poetas que se aproximaram da principal herança concreta: uma poética verbicovisual, que privilegiasse, a um só tempo, a notação verbal, icônica e visual que a linguagem traz em si. A poesia de Sahea estabelece um diálogo essencial com a materialidade e a visualidade da linguagem, mas não cai na armadilha autista de uma poética que se volta unicamente sobre si, feito o Narciso que se afoga em suas próprias e inconfundíveis ilusões. //
MÁRCIO SCHEEL (Ensaísta, Professor, Poeta e Escritor - para a Tribuna Impressa, de Araraquara)